Mulher Polvo

Valéria Palmieri: Sempre ao seu lado

Ansiosa, ligava no 220 volts, ela é uma mulher especial. O amor pelas crianças e pela família fazem dela uma guerreira, uma verdadeira mulher polvo. Com vários braços, ela quer abraçar e ajudar crianças com problemas renais, ter uma família, praticar atividades físicas e ainda ter tempo para ser feliz. E ela consegue.

por: Guilherme Zanette
fotos: Cristiano Domingues

la não está nas colunas sociais. Seu rosto não é conhecido. Mas é como várias mulheres da atualidade, que abraçam uma carreira, cuidam dos filhos, da beleza, da saúde – dela, da família e de crianças com problemas renais. Essa é Valéria Palmieri, pediatra com especialidade em nefrologia, a única da região que atende em consultório nessa área. Uma mulher determinada e dedicada, que ama crianças e quase desistiu da sua especialidade por ser uma área que atende muitas doenças, algumas delas crônicas. “Quando comecei nessa especialidade, era triste demais. Era um sofrimento para mim. Na diálise, eu pensava: Por que essas crianças tinham que sofrer tanto? Mas veio a fase do transplante e eu fiquei esperançosa. Então, me formei, vim para Santos, que é minha cidade, e comecei a atender por aqui”, conta ela.

A médica foi identificada pelo marido como uma típica mulher polvo. Ao ler a primeira edição da Public LifeStyle, Rogério Palmieri não teve dúvidas de que sua esposa se encaixava no perfil da reportagem da revista. Por quê? Repare na rotina de Valéria, mãe de duas filhas (Priscila de 11 anos e Julia, de 13) que diz claramente que não seria feliz se não tivesse suas filhas. Com exceção de algumas mudanças de horários (escala), os horários dela são esses: “Acordo muito cedo, em torno de 6 horas da manhã. Preparo o café da manhã para minhas filhas e depois as acordo, desejando um bom dia. Levo-as à escola e vou para Cubatão, onde faço ambulatório de nefrologia pediátrica.”

Valéria chega em casa antes do almoço, troca de roupa rapidamente e vai à academia ou corre na praia, dependendo do dia. “Procuro fazer atividade física todos os dias, pois me ajuda a ter mais energia e enfrentar os problemas do dia-a-dia. Depois disso, almoço com minhas filhas e após o almoço tenho sempre alguma coisa pra resolver: um dia vou fazer algumas compras para minha mãe (administro a casa dela também), ou tenho algum presente pra comprar para algum amiguinho da escola das meninas, ou tenho as minhas sessões de drenagem linfática ou é dia de visitar a manicure.”

Mas a sua rotina não acaba por aí. Após isso, vai ao ambulatório da Prefeitura de Santos, onde atende como pediatra geral. “Saindo de lá no fim da tarde, vou para o consultório atender mais algumas criançinhas de olho no relógio, pois dependendo do dia tenho que pegar minhas filhas no inglês, no jazz ou no violão. Depois, chego em casa à noite e dou lanche para elas, como minha saladinha e ainda faço Yoga 2 vezes por semana de noite para aliviar as tensões. Antes de dormir, procuro sempre ler alguma coisa de atualização da minha profissão e outras leituras extras, rezo e tento dormir (nem sempre é fácil)”, conta ela, acrescentando que seu sono não é muito bom e queria ser igual o marido, que consegue deitar e apagar.

Questionada sobre a dificuldade de conciliar família, trabalho e afazeres domésticos, ela não pestaneja: “É difícil, mas com vontade e amor tudo fica mais fácil e você acha tempo pra tudo. É claro que contamos com a ajuda preciosa de pessoas que estão no nosso lar, cuidando de nossos filhos como se fossem delas. Falo da Gorete, minha fiel escudeira que já está comigo há pelo menos 16 anos”, esclarece.

Aliás, a médica esclarece um lado doloroso na conciliação do trabalho com a família. “É muito estranho sair para trabalhar com sua filha com febre e você tendo que cuidar de outras crianças com febre. Mas sei que é meu trabalho e além de estarem muito bem cuidadas a noite chega e eu assumo de novo meu papel de mãe. Também conto com a ajuda do meu marido Rogério (nosso porto seguro), que me ajuda a cuidar das contas da casa, e à noite com as meninas”, confessa.

Além de toda essa rotina conturbada, ela usa os finais de semana para se divertir com a família, ir à missa ou em alguma atividade da Equipe de Nossa Senhora, que tem o objetivo de melhorar a espiritualidade de casais. “Acho que o maior segredo é ter dedicação, disciplina e determinação. Saber o que quer e determinar seus objetivos enfrentando todos os desafios com confiança em você e em Deus, pois ele nos ajuda a ter muita força”, afirma ela. Mas para quem tem tanta garra e disposição em ajudar, nada substitui a alegria da família em ver um paciente melhorar.

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